“Ele é perdido
Não é escolha
Permanecer talvez sim.
Mas digam o motivo
Me digam o motivo que determina a sua vontade de nos levar junto
De puxar o cabelo de nossas cabeças
De nos arrastar até o fundo do seu poço
Ele já não acha suficiente o meu poço
A minha perdição?
Perguntem por mim
Eu não consigo achar a resposta
Ele não quer me responder
Ele diz que não mereço só a minha tristeza
Ele diz que tenho que carregar todas as dores do mundo
Que eu preciso ser forte
Ser triste
Triste.
E aí…
Nos arranca da solidão tão só
Calma
Assustadora
E nos levar
Me levar
Para a perdição de ser quem ele é.
Me digam
O motivo do egoísmo de não me deixar seguir
Calma!
Satisfeita de estar sem a sua perdição que me leva junto, me arrasta
Que me arrasta para o poço
Não me deixem ir
Me perco
Estou sendo levada ..
Não me deixo ir
Me acho!
Me acho!
Me acho!
Não me deixo levar
Sigo!”
Medeiros.
eu sei que o amor existe quando minha avó lê a bíblia pra mim e eu pego no sono, mesmo sem fé alguma, porque a voz dela é macia e eu temo que ela se vá sem experimentar da sensibilidade que existe entre nós num dia ameno de julho. eu sei que é amor quando eu escuto Cássia eller e eu só consigo imaginar todos os meus amores dentro de uma caixinha protegida e imaculada no alto de uma montanha bem distante de todas as sujeiras, traições e dores do mundo. e eu fecho meus olhos e penso que sou privilegiado por poder compartilhar e receber do sentimento mais puro e humano possível. uma amiga me disse ontem (e eu concordo) que o amor é simples demais. que o amor é o único sentimento capaz de nos curar da ferida que é viver se jogando nos cantos da vida. o amor não machuca. o que me machuca foi aquela vez que não consegui enrolar meu abraço no seu enquanto você dormia e parecia estar desconfortável sobre o próprio corpo. aquela vez que nosso beijo durou menos do que as estrelas conseguiriam sussurrar umas às outras os segredos do zodíaco. aquele dia em que fomos embora um da alma do outro. eu sei que o amor existe quando eu olho para o céu quente e no meu coração só existe gratidão - mesmo que sem emprego, destino ou futuro. porque não poderia me permitir sentir outra coisa senão a graça de ser inundado pelo maravilhoso que as sensações causam em nós quando paramos, sentamos e observamos o escorrer do tempo. eu sei que é amor quando meu avô espreguiça os pés para debaixo da coberta e esquenta-se miudinho, reclamando do frio. porque, por um momento, não existe dor alguma entre a gente. porque embora tudo se desfaça e esfarele e vire pó do outro lado da cidade, aqui na minha alma é como se houvesse uma janela que ilumina o meu caminho e me tranquiliza de que as coisas fundamentais da vida estão todas do lado de dentro.
Se não puder voar, corra.
Se não puder correr, ande.
Se não puder andar, rasteje.
Mas continue em frente de qualquer jeito.










